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Construção Civil vive momento mais favorável dos últimos oito anos e PIB do setor pode ter alta de 5,8% em 2007

Oitava economia da cadeia produtiva, setor representa 12,6 % do PIB brasileiro, é o que mais emprega, em torno de 13 milhões, ou cerca de 15% de todas as pessoas ocupadas economicamente, quando se levam em conta os impactos indiretos.Estas são algumas considerações de estudo recente conduzido pela LCA Consultores.

São Paulo, 09 de maio de 2007 – Hoje, as expectativas para o setor de construção civil são as melhores desde 1999, aponta estudo da LCA Consultores. Em fevereiro de 2007, o saldo acumulado em 12 meses de enquadramentos de projetos no BNDES para o setor, foi da ordem de R$ 7 bilhões, sinalizando uma aceleração que deve também ser sustentada pelo saldo acumulado de enquadramentos de projetos nas áreas de transportes e saneamento e energia, respectivamente de cerca de R$ 16,2 bilhões e R$ 24,4 bilhões. Embora algumas medidas propostas no PAC ainda não tenham entrado em vigor, o anúncio do plano trouxe gás adicional ao setor. “Na série antiga, nossa expectativa era de alta de 5,8% do PIB da construção civil em 2007 e de de cerca de 4% ao ano entre 2008 e 2011. Possivelmente, tais números serão revistos para cima”, diz Braulio Borges, um dos idealizadores do estudo. Em 2004, a cadeia produtiva da construção civil correspondia a 12,6% do PIB brasileiro e em 2006, este percentual deve ter superado os 14%.


Entre as 43 cadeias produtivas de bens e serviços definidas pelo IBGE, a Construção Civil é a oitava maior da economia, representando 12,6% do PIB brasileiro e estando bem próxima das três que a precedem (aluguéis de imóveis, instituições financeiras, serviços prestados às empresas). O setor também é a atividade industrial com maior número de empregos diretos no país. Em 2004, o número de pessoas ocupadas formais e informais foi de 5,6 milhões. Quando se levam em conta os impactos indiretos, este número sobe para quase 13 milhões, ou cerca de 15% de todas as pessoas ocupadas economicamente. Em segundo lugar, entre os 39 setores da indústria, está alimentos e bebidas, que ocupa dois milhões, e o terceiro pertence a artigos do vestuário e acessórios, com 1,7 milhão.

A evolução da cadeia de construção civil também pode ser medida pela constante contribuição positiva para o saldo comercial brasileiro, tanto em bens (US$ 1,5 bilhão em 2006) como, principalmente, em serviços. Além disso, existem outros benefícios do investimento em construção civil, especialmente em infra-estrutura.

De acordo com o estudo da LCA, desde 1980, a trajetória da construção civil pode ser dividida em dois sub-períodos: 1980 a 2003 e 2004 em diante. Entre 1980 e 2003, o PIB da Construção Civil acumulou retração de 6,8%, contra expansão de 57,6% do PIB total. O fraco desempenho do setor neste período se explica tanto pela diminuição drástica da participação do Estado na Formação Bruta de Capital Fixo após a crise da dívida externa - em 2003, por exemplo, pouco mais de 1,5% do PIB, segundo o IBGE e a FGV, foram investidos no setor - como pela falta de demanda de investimento pelas empresas e pelas famílias (os quais poderiam substituir em parte o Estado), em um ambiente de elevada volatilidade e incerteza macroeconômica. Em contrapartida, a criação do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), em 1997, aumentou a integração entre o mercado imobiliário e os mercados financeiro e de capitais.

Já entre 2004 e 2006, mudanças macroeconômicas e microeconômicas/ institucionais melhoraram o panorama para a construção civil. A mudança macroeconômica mais nítida foi a consolidação da estabilidade (menos volatilidade e mais previsibilidade), como leis, decretos e novas modalidades de financiamento. Dentro deste contexto, o desempenho do setor foi em média ligeiramente superior ao PIB total (4,2% contra 4,1%). “Estes números só não foram melhores em decorrência de queda no 3º trimestre de 2005 (crise política e juros em alta), e pelo encarecimento relativo do preço da construção civil, especialmente de 2003 para 2004. As unidades residenciais financiadas atingiram, em 2006, o maior nível desde 1982, 520 mil unidades, sendo 408 mil com fundos do FGTS e 111 mil pelo SBPE. O recorde foi 627 mil em 1980, segundo o BCB e CBIC”, explica Bráulio Borges.

Segundo Borges, os principais desafios no setor estão relacionados à infra-estrutura. Em saneamento, a deficiência maior está na expansão da rede coletora de esgoto e
em logística, e em transporte, as necessidades vão desde a melhoria e expansão da malha rodoviária até a ampliação da infra-estrutura aérea. Investimentos são prementes também no setor de energia, sobretudo em geração. Já em 2008, a LCA estima que o déficit de energia chegue a 6%, índice que até 2010 deve chegar a 10%. Outro grande desafio se encontra na construção residencial: o déficit habitacional é estimado em 7,2 milhões de unidades, sendo que 83% da carência concentra-se em famílias de renda baixa (inferior a três salários-mínimos).